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“Death Stranding 2: A Obra-Prima Estranha e Autêntica de Kojima – Análise”

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Introdução a Death Stranding 2

Em 2019, após uma longa espera e trailers intrigantes, os proprietários de PlayStation 4 finalmente puderam explorar Death Stranding. Essa primeira obra independente de Hideo Kojima, desenvolvida por seu próprio estúdio com o suporte da Sony, trouxe uma narrativa épica de ficção científica. O jogo se passa em uma distopia pós-apocalíptica, onde a humanidade está à beira da extinção, ameaçada por criaturas fantasmagóricas e catástrofes sobrenaturais.

A esperança recai sobre entregadores anônimos e improváveis que, desprovidos de armas eficazes, arriscam suas vidas para garantir a sobrevivência dos demais. Nesse cenário, os jogadores desempenham o papel desses entregadores, reconectando a sociedade através de entregas vitais.

A Recepção Inicial

Embora a premissa pareça interessante hoje, no lançamento, Death Stranding enfrentou críticas consideráveis. Especialistas chamaram a atenção para uma jogabilidade monótona e sem propósito, com ideias consideradas “prepotentes”. Com o passar do tempo, o título experimental de Kojima gerou uma discussão retórica que parecia desconectada do público em geral.

No entanto, em março de 2020, a pandemia de covid-19 trouxe nova interpretação à mensagem de Death Stranding, coincidentemente, quando o jogo foi lançado para PC. Em meio ao isolamento social, a necessidade de conexões e interações humanas se tornou evidente.

Death Stranding 2: On The Beach

Atualmente, o mundo está novamente em crise, enfrentando ondas diárias de violência e conflitos. Este é o pano de fundo para Death Stranding 2: On The Beach, que indaga se deveríamos ter nos conectado. Analizaremos o novo game de Kojima, sua relevância como obra, suas mensagens e temas.

Vale notar que o material a seguir evitará spoilers, focando em temas, mensagens e aspectos técnicos, além de que a análise será uma reflexão sobre como o jogo cumpriu sua proposta.

Retrospectiva de Death Stranding

Antes de mergulhar na análise de Death Stranding 2, é vital recordar os temas principais do primeiro jogo, essenciais para a sequência. A narrativa de Death Stranding apresenta uma discussão filosófica, utilizando uma combinação de elementos, incluindo religião, referências literárias e folclore.

Por exemplo, a história é ancorada por uma citação de Kobo Abe sobre a dualidade entre cordas e bastões, simbolizando a construção de laços sociais e a separação por meio do medo e da violência. Essa relação é refletida nas conexões humanas que se buscam na reconstrução da sociedade.

A Dualidade da Vida e da Morte

Kojima amplia a ideia de conexão, explorando o vínculo entre mãe e filho, simbolizado pelo cordão umbilical. As mulheres gestantes detêm um papel crucial, representando o futuro da humanidade. A subjetividade de Kojima sobre a perda de sua mãe durante o desenvolvimento do jogo permeia a narrativa, ressaltando a importância de conexões humanas.

A atmosfera densa de Death Stranding reflete um luto coletivo, essencial para compreender os personagens que enfrentam suas próprias perdas. As descobertas sobre a vida após a morte e as dimensões desconhecidas conferem maior significado às ações do jogador na reconstrução social.

O Protagonista e suas Interações

No papel de Sam Bridges, os jogadores percebem que até as pequenas ações podem ter impacto. A jornada se torna uma reflexão sobre a esperança e a colaboração, onde a gratidão é a recompensa, representada pelos itens desbloqueáveis que são a troca pela ajuda aos outros.

No entanto, apesar de o jogador passar muito tempo com Sam e seu BB-28, Lou, pouco é revelado sobre seus sentimentos e passado, aumentando a barreira emocional. Essa distância permite que o jogador se coloque no lugar do protagonista, como mencionado por Kojima.

A Continuação da História

Com a chegada da sequência, Sam e Lou se tornam fugitivos após um ataque de um grupo misterioso, sendo guiados por Fragile. A essência de conexão ainda é central, agora explorando novos locais como o México e a Austrália à medida que se reconstroem laços através de novas regiões.

Explorando o Luto e a Morte

Na sequência, a reflexão sobre o luto é expandida, adotando novas perspectivas culturais. Enquanto a cultura norte-americana aprecia a solenidade, o Día de Los Muertos do México celebra entes queridos falecidos com alegria, enquanto a cultura aborígene australiana realiza cerimônias de luto que simbolizam a união com a natureza.

Death Stranding 2 explora a perda não apenas de indivíduos, mas também cultural, refletindo sobre momentos não vividos e o que poderia ter sido, ainda que com um olhar esperançoso sobre o futuro.

A Direção de Arte e Temática

A direção de arte acompanha esse novo direcionamento, apresentando as regiões de forma diferenciada. Sam enfrenta um isolamento em um cenário árido, contrastando com o jogo anterior que sugeria possibilidades de conectar e recomeçar, refletindo a luta e a resiliência da condição humana.

A Narrativa de Kojima

Kojima, como sempre, traz uma estrutura narrativa única, repleta de reviravoltas e diálogos. Embora essas características possam criar dissonância, elas também testam os limites entre jogo e cinema, algo pouco explorado na indústria. O impacto emocional das cenas mais profundas é às vezes interrompido por momentos de humor, característica comum em suas obras.

Os Desafios do Ritmo

Ainda assim, a narrativa pode causar estranheza em alguns momentos, com um elenco que parece desligado em relação à gravidade da situação. Essa abordagem pode se assemelhar a pedir “fé no processo”, como afirmado por Kojima. No final, a história se revela mais coerente do que parecia.

Um Jogo Impressionante

Em termos técnicos, Death Stranding 2 é um dos títulos mais impressionantes da geração. Os visuais e a direção de áudio são excepcionais, e o cuidado com a captura de movimento aprimorou a expressão dos personagens. A trilha sonora está repleta de novos artistas e trilhas icônicas que aumentam a imersão da experiência.

Vale a Pena Jugar?

Death Stranding 2 não hesita em cumprir suas promessas. Como sequência, oferece uma experiência maior e mais refinada, evidenciando a colaboração entre jogadores e a importância social de suas interações. A obra-prima de Kojima pode ter uma recepção mista, mas sua mensagem de conexão humana é indiscutivelmente valiosa.

Considerações Finais

On The Beach nos lembra da relevância da conexão em tempos desafiadores. A experiência de ser humano, em sua essência, é irremplazável. O jogo não apenas entrega uma narrativa ambiciosa, mas também provoca reflexões sobre o luto e a busca contínua por compreensão e conexão.

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