Resident Evil Requiem: Uma Análise Completa
É com enorme satisfação que afirmo que Resident Evil Requiem superou todas as minhas expectativas. O nono título da franquia não apenas entrega uma atmosfera rica, uma jogabilidade envolvente e uma parte significativa da narrativa bem construída, mas também mistura nostalgia com gráficos impressionantes, trilha sonora impactante e mecânicas que dividem bem o prazer e o terror. Entre momentos de ação e terror psicológico, Resident Evil Requiem oferece uma experiência memorável e digna. Continue lendo para entender melhor os seus aspectos!
Ambientação e Narração Intrigantes
Se você não esteve isolado do mundo nos últimos meses, certamente já ouviu falar que Resident Evil Requiem retorna a Raccoon City 30 anos após os eventos que deram origem à franquia. A nostalgia é evidente, mas há um motivo bem fundamentado para isso.
Esta análise não contém spoilers, mas é relevante mencionar que seguimos a jornada de Grace Ashcroft, filha de Alyssa, uma personagem apresentada no spin-off Outbreak. Grace está investigando o hotel onde sua mãe foi assassinada há oito anos.
Parece que uma doença misteriosa assombra os sobreviventes do incidente de Raccoon City, e forças ocultas parecem estar por trás de tudo. Embora não possa entrar em muitos detalhes, posso afirmar que grande parte da narrativa é bem estruturada, revisitando eventos clássicos do universo de Resident Evil e adicionando novas perspectivas à continuidade da franquia.
O tema central de Resident Evil Requiem reside na mistura do passado e futuro da série, e isso funciona bem na maior parte do tempo. Contudo, o desfecho pode ser um tanto confuso, com personagens e motivações mal explicadas, além de várias pontas soltas que parecem estar preparadas para futuras DLCs—a Capcom já teve dificuldades em resolver tramas dessa natureza antes.
A ambientação de Resident Evil Requiem proporciona uma experiência rica. A personagem Grace é bastante humana e expressiva, enquanto Leon, por sua vez, oferece um contraste significativo. O equilíbrio entre os dois personagens enriquece a narrativa, revelando surpresas interessantes ao longo do jogo.
Grace: O Coração do Terror
Se eu quisesse ser um crítico técnico, começaria a descrever o terror imersivo das seções com Grace em Resident Evil Requiem. Mas, em essência, é necessário ser honesto: jogar com Grace é uma experiência que provoca uma sensação constante de tensão e medo.
Diferente de muitos jogos do gênero, onde os sustos são distribuídos ao longo da experiência, jogar com Grace é um desfile contínuo de terror. A ação não se restringe apenas a jumpscares; a atmosfera é construída para criar um ambiente de desconforto a cada momento, seja com luzes acesas ou nas profundezas sombrias do jogo.
O desenvolvimento do personagem Grace, que é apresentado quase como uma novata inexperiente, adiciona um elemento de vulnerabilidade que eleva a tensão. Apesar de ter acesso a armas e um sistema de criação de itens, muitas vezes, a melhor estratégia é a fuga. A ameaça sempre presente de um retorno à forma tipicamente conhecida da franquia, onde um cadáver pode se transformar em um novo inimigo, permanece constante.
Se você gostou da tensão em Resident Evil 7, vai adorar a narrativa de Grace em Requiem. A jogabilidade com ela é envolvente e provoca desespero e expectativa.
Leon: A Explosão de Ação
As seções jogáveis com Leon funcionam como uma recompensa após as experiências aterrorizantes com Grace. Elas oferecem uma sensação de alívio e descontração, além de um contraste evidente com a tensão que caracteriza a jornada de Grace.
Diferentemente de Resident Evil 6, onde Leon era tratado como um super-herói, em Resident Evil Requiem ele se apresenta como um personagem mais realista, quase como um John Wick em um jogo de horror. A jogabilidade remete a um Resident Evil 4 com um toque mais dinâmico e intenso.
Os combates corpo a corpo são complementados por mecânicas interessantes, como a possibilidade de finalizar inimigos próximos com um golpe de fogo. Cada ação é uma dança dinâmica, cheia de animações bem trabalhadas. O novo artefato, um machado, adiciona uma nova camada de diversão ao sistema de combate, embora às vezes considere seu uso excessivo.
A seção de Leon mantém um certo espírito clássico e nostálgico, misturando elementos familiares com novas propostas de jogabilidade. Encerrando sua camada, o personagem proporciona algumas das partes mais emocionantes da narrativa, tornando sua presença um elemento essencial na experiência geral.
Exploração e Puzzles: Uma Oportunidade Perdida
Embora Resident Evil Requiem preserve alguns elementos clássicos da franquia, como a exploração e a resolução de puzzles, sinto que a Capcom não aproveitou todo o potencial desses sistemas. Os enigmas no jogo são simples e poucas vezes desafiadores, o que não contribui significativamente para a exploração dos cenários ricos que o jogo oferece.
Apesar de o jogo apresentar ambientes intrigantes, como o hotel Wrenwood e a clínica Rhodes Hill, a sensação de retornar a áreas já visitadas podería ter sido mais impactante, com mais obstáculos e segredos para descobrir. A campanha principal leva cerca de 8 a 14 horas, dependendo do estilo de jogo, mas poderia ter mais conteúdo para prolongar a experiência.
Um ponto positivo é a replayabilidade: o modo de dificuldade Insano altera a posição de itens, inimigos e enigmas, tornando a experiência nova e desafiadora. Contudo, a falta de um modo Mercenaries pode ser uma decepção para alguns jogadores.
Qualidade Gráfica e Sonora
Eu experimentei Resident Evil Requiem no PS5, e os gráficos são impressionantes, com ray tracing disponível. No entanto, a análise foi realizada no PC, onde o jogo brilha com gráficos de alta qualidade. Resident Evil Requiem incorpora tecnologias como path tracing, DLSS e NVIDIA Reflex, sendo um espetáculo visual.
Em configurações de hardware mais avançadas, como uma GeForce RTX 5090, é possível jogar tudo no máximo sem comprometer o desempenho, chegando a médias de 150 fps. Mesmo em configurações mais modestas, a experiência se mantém fluida e visualmente agradável.
A sonoplastia e a trilha sonora também se destacam, invocando emoções e nostalgia na hora certa. O uso inteligente de música em situações específicas eleva ainda mais a imersão que o jogo proporciona.
Vale a Pena Jogar Resident Evil Requiem?
No geral, Resident Evil Requiem é um título excelente que equilibra ação, terror e nostalgia. A Capcom conseguiu evitar erros comuns em lançamentos anteriores, como em Resident Evil 6, proporcionando um jogo que parece satisfazer diversos gostos sem se tornar excessivamente genérico.
Apesar de algumas falhas na história e no aproveitamento de certas mecânicas clássicas, o resultado final é uma experiência bem equilibrada, com jogabilidade rica e sequências emocionantes. Resident Evil Requiem pode não ser exatamente o melhor jogo da franquia, mas certamente merece um lugar de honra entre os títulos mais respeitados.

Convido você a compartilhar suas opiniões sobre Resident Evil Requiem nos comentários abaixo. O que você achou das novas mecânicas e personagens? Sua interação aqui é sempre bem-vinda!

