Introdução
Desenvolvido pela Tamsoft, responsável por Captain Tsubasa: Rise of New Champions, o jogo Bleach: Rebirth of Souls não se propõe a ser o melhor anime de ação. Seu objetivo é se destacar como um dos jogos de luta em arena 3D mais estilizados e originais da atualidade, independentemente da sua opinião sobre a obra do mestre Kubo. Embora apresente bons conceitos e se mantenha fiel ao anime, fica um pouco atrás das recentes adaptações de Naruto e Dragon Ball. Apesar disso, a franquia mostra que está seguindo no caminho certo. Confira nossa análise completa!
A Evolução da Barra de Vida
Em Rebirth of Souls, somos apresentados a um típico jogo de luta em arena 1 contra 1 que, à primeira vista, não se distancia muito dos padrões do gênero. No entanto, nota-se claramente o esforço da desenvolvedora para aprimorar as características dos jogos de luta 3D, trazendo algumas ideias originais.
A dinâmica do jogo gira em torno da destruição dos Konpakus do oponente, que representam a vida do personagem. Para eliminar os Konpakus, é necessário primeiro reduzir o medidor de Partículas Espirituais, que atua como um escudo de proteção. O fluxo do combate se dá da seguinte forma:
- Golpear o adversário com ataques básicos para diminuir seu medidor;
- Executar um ataque finalizador capaz de quebrar as barras de vida reais do personagem.
Apesar de parecer um sistema técnico e complexo, sua mecânica é facilmente dominada em poucas partidas. O fato de não utilizar uma barra de vida convencional traz uma profundidade inesperada ao combate, permitindo que as lutas se alonguem bastante, semelhante a um confronto épico de anime.
Dança com Espadas
As batalhas em Bleach: Rebirth of Souls possuem uma fluidez agradável, equilibrando momentos frenéticos e dinâmicos. A transição entre os golpes é suave, evitando as “pausas robóticas” que são comuns em muitos jogos. Isso permite realizar combos de forma mais natural.
A mecânica de combate é baseada em uma dinâmica de pedra, papel e tesoura:
- Os ataques interrompem os agarrões (conhecidos como rupturas);
- Os bloqueios protegem contra os ataques;
- A ruptura anula o bloqueio.
Vale lembrar que bloquear o tempo todo não é uma boa estratégia, pois existe um medidor de bloqueio que limita a defesa se usado de forma desenfreada. Além disso, você pode acumular Espíritos de Luta para ativar a forma Despertar, que amplifica temporariamente as habilidades do personagem, permitindo a execução de poderosas Técnicas Kikon.
Fui surpreendido pela profundidade das mecânicas e pelas ferramentas oferecidas, que permitem ao jogador mudar o rumo da partida, mesmo em cenários desfavoráveis. Poucos jogos de anime exploram a profundidade encontrada nos jogos de luta 2D e buscam ultrapassar as convenções do gênero.
Outro aspecto notável são os mais de 30 lutadores disponíveis. Cada um possui padrões únicos de ataque, não se tratando de simples variações de Ichigo. Embora o game não tenha um foco competitivo por conta de personagens desbalanceados, a complexidade apresentada é bastante interessante.
Faltou Sustância
Apesar da qualidade do combate, Bleach: Rebirth of Souls carece de variedade nos modos de jogo, oferecendo apenas um modo história, multiplayer e algumas missões offline. No modo online, a ausência de partidas ranqueadas logo no lançamento deixa a desejar, enquanto o modo single-player parece um pouco vazio.
Jogando sozinho, você pode treinar combos e enfrentar uma série de três oponentes controlados pela CPU em diferentes níveis de dificuldade. O objetivo é ganhar Pontos de Alma para gastar na Loja Urahara, onde você encontra itens cosméticos e amplificadores de poder espiritual, conhecidos como Cristais da Alma. Basicamente, é isso.
O modo história passa rapidamente pelos principais arcos de Bleach, mas pode ser confuso para quem não está familiarizado com a narrativa de Ichigo Kurosaki, pois algumas conexões entre personagens e eventos não são bem contextualizadas.
Ainda assim, o jogo nos recompensa com pontos de experiência e dinheiro após cada luta, independente do resultado. No entanto, o sistema de progressão não oferece grandes incentivos para que o jogador continue jogando, o que pode ser frustrante, visto que não há muito conteúdo para explorar.
Fashion Bleach
Com o sucesso de Bleach: Thousand-Year Blood War, que já está na sua terceira temporada no Disney+, Rebirth of Souls incorpora uma estética vibrante, tornando-se uma das produções mais estilosas que já vi. O design visual do jogo, que faz lembrar elementos de Persona e outras produções da Atlus, é repleto de cores vibrantes, tanto nos menus quanto no painel de combate.
A trilha sonora é outro ponto alto, digna de um Grammy. Bleach é conhecido por suas músicas memoráveis e essa qualidade se reflete também em Rebirth of Souls, que cria uma atmosfera digna do anime.
Veredito
Concordando ou não, é importante notar que os jogos de luta em arena 3D têm ficado estagnados em termos de criatividade, mesmo tendo gerado bons títulos na atual geração. Bleach: Rebirth of Souls se compromete a ser um ótimo jogo de arena e realmente cumpre essa proposta, integrando boas ideias à jogabilidade e trazendo uma forte personalidade ao design.
No entanto, como um representante da obra de Kubo nos videogames, Rebirth of Souls se limita a ser um “jogo de anime padrão”, apresentando poucos modos, uma narrativa apressada e um multiplayer que não explorou todo o potencial do gameplay. Contudo, para os fãs da série, há diversão garantida.
Testado no PS5 Pro.
Para mais informações sobre o jogo, confira também o artigo sobre como Bleach: Rebirth of Souls busca conquistar fãs do anime e atrair novos jogadores.


